41% dos cearenses têm pelo menos uma doença crônica

41% dos cearenses têm pelo menos uma doença crônica

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11 dez 2014
O policial militar Michael Marlen de Sousa Barbosa, 29, tem uma hérnia de disco. Tratamento inclui remédios e fisioterapia. (Foto: Rodrigo Carvalho)

O policial militar Michael Marlen de Sousa Barbosa, 29, tem uma hérnia de disco. Tratamento inclui remédios e fisioterapia. (Foto: Rodrigo Carvalho)

Obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo abusivo de álcool e até o uso excessivo de aparelhos tecnológicos podem ser responsáveis pela marca de 41% dos cearenses com pelo menos uma doença crônica não transmissível (DCNT). O percentual é maior que a média nacional (40%) e traz uma novidade: entre as seis doenças de maior prevalência, os problemas na coluna foram maioria. No Ceará, 1,4 milhão de pessoas (24% da população) têm dores lombares.

 

Os números são inéditos e fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol e depressão, além das doenças de coluna, foram as DCNTs levantadas. As doenças são as responsáveis por 72% das mortes no Brasil.

 

“A porcentagem de 41% é preocupante porque muitas pessoas nem sabem que têm alguma dessas doenças. Hoje até há distribuição de medicamentos para hipertensão e diabetes, porque é muito mais barato prevenir do que pagar pelas complicações que essas doenças podem gerar”, diz o médico e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Renan Montenegro.

 

Dores na coluna

 

“Esses dados só confirmam o que nós já sabíamos. Dor na coluna vertebral é realmente uma epidemia”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRC), Helder Montenegro. Conforme ele, pesquisas já mostravam que, no Brasil, existem cinco milhões de pessoas com hérnia de disco e que 50% dos atendimentos de dores em hospitais são lombares.

 

“O poder público precisa olhar mais para essa epidemia. O pior é que as pessoas sentem esse tipo de dor gradativamente e isso afeta o psicológico, o bom humor, a rotina”, pondera o fisioterapeuta. A pouca – e inadequada – oferta de fisioterapia, de acordo com o presidente da ABRC, é uma das deficiências do Sistema Único de Saúde (SUS). “Os atendimentos na rede pública são feitos em grupo. Por isso o médico indica a fisioterapia e não consegue ter resultado. E, entre as lesões clínicas, apenas 5% têm perfil de cirurgia”, ponderou.

 

O policial militar Michael Marlen de Sousa Barbosa, 29, faz parte do grupo com problemas de coluna. Ele descobriu uma hérnia de disco há dois anos e as crises acontecem a cada seis meses.

 

“Meu tratamento é à base de remédio e de muita fisioterapia. Também faço exercício físico voltado para a região lombar”, relata. O problema de saúde provavelmente foi causado pelas 12 horas seguidas que ele passa dirigindo viaturas. “Se a pesquisa mostrou esse elevado número, as autoridades deveriam ter mais atenção”, opina.

 

O Povo Online

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