97% dos municípios cearenses não possuem UTI neonatal, segundo IBGE

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27 ago 2015

Diário do Nordeste – Passar por uma situação de emergência logo após o nascimento pode acarretar um risco ainda maior no Ceará. É o que deduz o Perfil dos Estados e dos Municípios Brasileiros de 2014, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ontem, ao apontar que, dos 184 municípios cearenses, apenas cinco, ou seja, 2,7%, possuem estabelecimentos públicos ou conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) dotados com leitos/berços de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.

 

FConforme a Associação Médica Cearense (AMC), apenas Fortaleza, Barbalha, Sobral, Crato e Quixadá dispõem de leitos de UTI neonatal.

FConforme a Associação Médica Cearense (AMC), apenas Fortaleza, Barbalha, Sobral, Crato e Quixadá dispõem de leitos de UTI neonatal.

O problema acompanha o registrado em todo o Brasil. Ao todo, 93,5% das cidades enfrentam a mesma situação. Embora em número também baixo, o cenário em relação à disposição de municípios com unidades de saúde dotadas de leitos/berços de cuidados intermediários é um pouco melhor, já que dos 184 municípios, 64 (34,7%) possuem hospitais que contém estes equipamentos.

 

A publicação do IBGE reúne os resultados da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic) e da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), 2014, que levantaram os dados nas 27 Unidades da Federação e nos 5.570 municípios do País, tratando, além da saúde, de temas como recursos humanos, comunicação e informática, educação, segurança pública, entre outros.

 

Para Carmelo Silveira Leão Filho, diretor de assuntos políticos da Associação Médica Cearense (AMC) e especialista em medicina intensiva, o problema do baixo número de UTIs neonatais no Estado está ligado à falta de financiamento, má estrutura das unidades hospitalares e aos desvios de verbas públicas.

 

De acordo com o especialista, não é todo hospital que pode arcar estruturalmente e financeiramente com os equipamentos desse porte. “Cidades como Fortaleza, Barbalha, Sobral, Crato e Quixadá, atualmente, possuem leitos, pois são municípios com bons recursos federais e estaduais”, ressalta.

 

Ele explica que a alta demanda nesse setor ocorre porque boa parte das gestantes seguem não tendo acesso adequado ao tratamento do pré-natal. “O acompanhamento médico bem feito é fator determinante para evitar um grande número de crianças em UTIs. Os municípios estão tento problemas até com atendimentos de atenção básica”.

 

O médico aponta que o governo tenta amenizar o problema com a criação dos hospitais regionais, mas que a solução determinante para dar fim a essa questão está ligada a uma gestão pública séria. “A solução real para dar fim a alta demanda no setor da saúde está ligada a uma boa gestão, fiscalização do dinheiro público e planejamento com as categorias da área da saúde”, destaca o médico.

 

Realizar exames médicos e conseguir um leito de internação também não é fácil em algumas localidades. De acordo com o levantamento, 36,4% dos municípios do Ceará, ou seja, 67 deles, precisaram referenciar usuários da atenção básica para a realização de exames em outras cidades em 2014. No quesito internação, 63 municípios necessitaram dessa prática.

 

Investimento

 

Sobre os dados apresentados, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) informou, por meio de nota, que o Ceará foi o estado brasileiro que mais ampliou a rede de serviços de saúde dos últimos anos, citando o funcionamento do Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, com dez leitos de UTI pediátrica e dez de UTI neonatal, destacando, ainda, o início da operação do Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, até o fim do ano, com mais 20 leitos no total.

 

Para ampliar o acesso a especialistas e exames, sem a necessidade de deslocamento para a Capital, a Sesa destaca a construção e funcionamento de 19 policlínicas regionais, que já realizaram cerca de 2 milhões de atendimentos desde a inauguração da primeira unidade, em Tauá. A secretaria esclarece que as unidades atendem até 17 especialidades médicas para a população de 166 municípios e mais três unidades estão em construção: Canindé, Maracanaú e Crato.

 

A nota destaca, ainda, o Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, que atende 45 cidades da macrorregião, tendo realizado 1 milhão e 642 mil atendimentos até abril deste ano. “A Secretaria da Saúde do Estado segue focada em ampliar e qualificar os serviços de saúde para atender as necessidades da população”, diz o texto.

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