Bicampeão brasileiro e vencedor da Libertadores, Nasa constrói casas no Cariri

Bicampeão brasileiro e vencedor da Libertadores, Nasa constrói casas no Cariri

PUBLICIDADE
8 fev 2016

‘Nós-Ainda-Somos-Amadores’, ou simplesmente, NASA. Esse era o nome do time de subúrbio o qual Gesiel José de Lima atuou durante o período da adolescência. Incorporou essa alcunha, ‘ganhou o Brasil, as Américas’. Ainda jovem, foi carregador de frete e trabalhou em padarias e supermercados. Nos gramados, a situação era de desarme. Um ‘cão de guarda’ que teve como principal função fazer o trabalho ‘sujo’.

 

Nasa fez parte do time histórico do Vasco campeão de 1997 (Foto: Arquivo pessoal)

Nasa fez parte do time histórico do Vasco campeão de 1997 (Foto: Arquivo pessoal)

 

Campeão de quase tudo com o Vasco, Nasa está com 47 anos, é casado e pai de uma mulher. Nas horas vagas brinca com o neto Davi, e ainda constrói casas para o sustento da família. Após abandonar os gramados, o pernambucano escolheu morar em Juazeiro do Norte, no interior cearense, e virou empreiteiro. Faz a contratação do mestre de obras, pedreiros e também negocia a venda. Tudo fica sob a sua administração. Com isso, conseguiu fazer caixa para não passar dificuldades no pós-carreira.

 

Do gol contra diante do Real Madrid, na final do Mundial Interclubes, o peso não lhe atinge, tampouco tira o mérito de uma carreira sólida no Vasco da Gama. Nesse lance, Roberto Carlos disparou um torpedo e o ex-volante desviou de cabeça contra o próprio gol. Foi o primeiro da derrota por 2 a 1, no estádio Nacional de Tóquio, em dezembro de 1998. “Só acontece com que está ali. Até Zico perdeu pênalti em Copa do Mundo”, aponta o ex-camisa 5.

 

As honrarias de Nasa foram construídas ao longo de quase 15 anos de carreira. Surgiu no América-PE, passou também pelo Santa Cruz, foi bicampeão cearense pelo Ferroviário em 94 e 95, e depois foi para o Sudeste. Campeão japonês de 2002 pelo Yokohama, antes de encerrar a carreira, jogou ainda no Icasa e Guarani de Juazeiro, ambos do interior cearense.

 

Nasa foi campeão japonês pelo Yokohama e hoje mora em Juazeiro, Ceará (Fotos: Arquivo Pessoal)

Nasa foi campeão japonês pelo Yokohama e hoje mora em Juazeiro, Ceará (Fotos: Arquivo Pessoal)

 

A verdade é que no clube cruz-maltino conseguiu ‘fazer um pé de meia’. Foram cinco temporadas, com títulos da Libertadores, dois Brasileiros, Estadual, Rio-São Paulo e Copa Mercosul. Participou de grupos que contaram com Edmundo, Juninho Pernambucano, Juninho Paulista e Romário. Há alguns anos, iniciou uma fase de lamentação pelo atual estágio do Time da Colina.

 

“É um clube que está sem dinheiro. Eurico (Miranda) deixou o veneno para o Roberto (Dinamite), e Roberto deixou o veneno para o Eurico. Esse veneno que eu falo é dividas. Quando você tem uma diretoria e sócios que apoiam, você vai ter investimento. Quando não há integração, não fica legal. Isso é horrível, principalmente para um clube grande como é o Vasco”, indicou.

 

Nasa não tem tanto contato com o ex-clube. Em 2014, quando o Vasco jogou no Cariri, o vice-campeão mundial foi visitar Carlos Germano e alguns membros da comissão técnica. Ele ainda mantém contato com Ramón, por vezes também com Mauro Galvão. Talvez assim, o volante tenha conseguido, ao longo dos tempos, entender o motivo de tamanha queda da agremiação quatro vezes vencedora do Brasileirão.

 

“O Eurico (Miranda) era um cara que na época que se doava pelo Vasco. só que acredito que faltou humildade, e faltou Deus no coração. Se vangloriou demais. Ele achava que era o cara. A gente tinha uma das melhores equipes do mundo, mas ele não tinha humildade. Por ele se vangloriar, levou o Vasco nessa situação. Depois da sua ação na João Havelange, discutiu com a Rede Globo. Mas nossa relação era estável, normal. Você não foi ali para passear, sim para trabalhar”, explicou.

 

Carreira cearense

 

De 1991 a 1995, Nasa defendeu o Ferroviário Atlético Clube, de Fortaleza. Na Barra do Ceará, em defesa da equipe da Vila Elzir Cabral, participou das campanhas dos últimos títulos corais: um bicampeonato cearense 1994-1995. Época que Iarley era jogador da base, por exemplo. Uma antítese. Há dois anos, o Ferrão caiu para a Série B Cearense.

 

“Acompanho essa situação difícil. Eu tenho um carinho enorme pelo Ferroviário. A coisa está feia, horrível. Infelizmente os empresários e dirigentes deixaram o clube assim. Todo ano tem promessa, mas o problema do futebol brasileiro é falta de dinheiro. Tem que aparecer alguém com dinheiro e que ame o Ferroviário”, comentou. Depois que se aposentou, Gesiel passou a olhar o futebol profissional somente diante da televisão. Entretanto, se tornou jogador de peladas.

 

Fonte: Tribuna do Ceará

Comentários