Camilo descarta PMDB no Governo Cearense, fala sobre influência dos Ferreira Gomes e defende criação da CPMF

Camilo descarta PMDB no Governo Cearense, fala sobre influência dos Ferreira Gomes e defende criação da CPMF

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8 dez 2014
Camilo descartou a participação do PMDB em seu Governo. (Foto: Divulgação)

Camilo descartou a participação do PMDB em seu Governo. (Foto: Divulgação)

Em entrevista ao jornal O Globo no último domingo (7), o governador eleito do Ceará, Camilo Santana (PT), voltou a defender temas como a volta da CPMF para financiar a Saúde, a revisão da relação do governo com o PMDB e a construção de uma nova base aliada.

 

Camilo descartou a participação do PMDB em seu Governo e ao ser questionado sobre a influência dos Ferreira Gomes em seu governo, diz que tem admiração por eles.

 

Leia a entrevista na íntegra:

 

Que lição o senhor tira das urnas após as eleições de 2014?

 

É preciso fazer uma avaliação do resultado das urnas, tendo em vista que foi uma eleição apertada. Mas eu defendo que temos de fortalecer o nosso governo, pois o principal cargo do governo, a Presidência da República, é do nosso partido. O importante é que as mudanças que o país precisa sejam implementadas e sejam aprofundadas, como foi o lema da campanha (de Dilma).

 

O maior desafio do PT, apontado na reunião do Diretório Nacional, em Fortaleza, está em criar condições para que a presidente Dilma Rousseff possa fazer um segundo mandato melhor que o primeiro. Como dialogar com um Congresso mais conservador?

 

Eu acho que a presidente Dilma tem um papel importante no PT. E os dirigentes, que fazem a relação política do governo, têm o papel de construir uma nova base de aliados no Congresso.
É o que eu defendo: rever essa relação da base aliada do governo. Até porque o principal aliado tem sido o PMDB, mas, no momento em que o governo precisa, ou no momento das eleições, a gente viu o quanto os candidatos do PMDB ficaram contra a presidente.

 

Como se dariam essas mudanças?

 

Acredito que seja preciso mudar esta correlação de forças e essa relação com a base aliada. Tem setores que defendem a construção de blocos, a fusão de alguns partidos, a construção de frentes. Eu acho que hoje o governo trata o PMDB como se ele tivesse mais força do que tem. Posso até ser ingênuo nessa defesa, mas acredito que a relação tem que ser muito mais republicana do que simplesmente em troca de espaço no governo.

 

O PMDB vai participar do seu governo? Ocupará algum cargo?

 

Claro que não!

 

Qual será a influência dos Ferreira Gomes no seu governo?

 

Olha, eu tenho uma admiração por eles, até porque poucos tiveram gestos como o de Cid Gomes, para o PT e para a presidenta, que foi o de deixar um partido (o PSB) em nome do projeto da presidente, da reeleição dela.

 

O PT aprovou resolução em que determina a expulsão de corruptos do partido. O senhor acredita que essa expulsão deva ser imediata, seja de mensaleiros ou de citados na Operação Lava-Jato?

 

Não se pode expulsar ninguém do partido sem cumprir o regimento e o estatuto. Existem regras e normas. O que tem de ser muito claro para a sociedade é que o PT é um partido que combate a corrupção, independentemente de quem esteja envolvido. Em qualquer partido, (o corrupto) tem que ser punido. A determinação da presidenta Dilma e do partido é que, neste governo, qualquer corrupção tem que ser apurada, e as pessoas têm que ser punidas, independentemente de serem do PT ou de qualquer outro partido. É isso que defendo.

 

O senhor defende a volta da CPMF. Isso foi conversado com Dilma?

 

Eu estou abrindo essa discussão novamente. Conversei com governadores petistas da Bahia e do Piauí, que foram a favor. Conversei também com alguns deputados. Vamos ter uma reunião, no dia 9, de todos os governadores eleitos no país, e eu vou apresentar essa proposta. Eu não conversei com Dilma sobre isso, conversei com o presidente do meu partido. Mas não tenho dúvida de que jamais a presidenta Dilma seria contrária, pois acredito que a preocupação com a Saúde é de todos no Brasil.

 

Por que o senhor defende a volta da CPMF? De quem é a iniciativa?

 

Essa foi uma iniciativa pessoal minha, pois acho que o Brasil precisa de uma fonte de financiamento da Saúde, para aumentar os recursos nesta área. E a minha preocupação é porque nós sabemos que 2015 será um ano talvez de dificuldades, pela expectativa que se tem. Enquanto nós não temos o pré-sal para financiar investimentos em Saúde e Educação, é importante pensarmos em novas fontes de financiamento nesta área, a população tem cobrado isso.

 

Estudos indicam que a CPMF tem efeito direto sobre as taxas de juros, e isso desestimula o crescimento econômico e reduz a base de contribuição e arrecadação dos demais tributos.

 

Estou preocupado com a Saúde, mas se tiver alguma argumentação de que vai ter influência no crescimento do Brasil, vou procurar conhecer esse estudo. Defendo que seja uma CPMF diferente. Ela deve ser exclusiva para a Saúde e deve ser determinado o percentual para estados, municípios e União. E se não for a CPMF, temos que defender um mecanismo de financiamento da Saúde pública no Brasil.

 

A escolha do Nordeste para a reunião do Diretório Nacional do PT pode significar maior participação do Nordeste no governo?

 

Não necessariamente, pois eu acho que o importante é o projeto liderado por Dilma. Mas, dos cinco governadores eleitos do PT, três são do Nordeste, e o Ceará tem seu primeiro governador eleito do PT.

 

Ceará News 7

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