Casas de taipa ainda são comuns no interior do CE, mesmo inadequadas

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25 ago 2014
Casas não oferecem segurança e podem abrigar o besouro barbeiro (Foto: Reprodução/NE Rural)

Casas não oferecem segurança e podem abrigar o besouro barbeiro (Foto: Reprodução/NE Rural)

Cerca de 900 mil famílias ainda vivem em casas de taipa, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As casas de taipa têm paredes de barro, sustentadas por estacas e não oferecem condições adequadas de moradia, segundo arquitetos. No interior do Ceará e Região Metropolitana de Fortaleza, as casas de taipa ainda são comuns.

 

Algumas casas de taipa perduram por gerações na mesma família, mas elas são inseguras e correm risco de desabar em período de chuva ou vento forte. Em Barbalha, Francisca Lima conseguiu construir uma casa de alvenaria após conseguir um empréstimo. Em 2013, a casa de taipa dela desabou com as chuvas.

 

Vizinha a ela, a filha continua morando em residência de barro, que tem a estrutura comprometida. A própria Regina Francisca de Lima, filha de Francisca, construiu a casa e teme por sua segurança. “Quando chove, goteja muito e está perigoso. Tudo que eu quero na minha vida é uma casinha de tijolo”, diz.

 

Dona Maria também se assustou quando viu parte da casa dela desabar, mas por falta de opção continua morando na mesma residência, agora sustentada por estacas. “Eram umas quatro da manhã, uns correram logo. No outro dia nós colocamos a telha”, diz.

 

O arquiteto Diego Zaranza explica que a casa de taipa causa poucos impactos ambientais, é suficiente para amenizar o calor, mas não critérios técnicos para ser erguida, e por isso é insegura. As camadas de barro também têm rachaduras, que podem servir de abrigo para o barbeiro, inseto causador da doença de chagas.

 

“Pra uma família que não tem nenhuma condição pra construir uma casa, o ideal seria realmente construir a taipa, mas com uma orientação técnica, que talvez o governo devia estar fornecendo para essas famílias”, diz o arquiteto.

 

Dona Ramilda se mudou da casa de taipa depois que já tinha sido vítima da doença de Chagas. Ela só descobriu porque foi doar sangue. Hoje, teme pelos filhos. “Vou pedir ao médico para dar encaminhamento para fazer os exames porque a gente tem muito medo dessas coisas do barbeiro”, contou.

 

Conseguir morar numa casa de tijolo antes de contrair a doença de Chagas é um sonho para quem ainda vive entre paredes de barro: “Se puder escolher, claro que a pessoa mora em uma casa mais segura”.

 

G1 CE

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