Ceará confirma primeiro caso de febre Chikungunya em paciente que esteve em Brejo Santo

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18 jul 2014
Foto: Ilustrativa

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O Ceará registrou, na última terça-feira, o primeiro caso importado de febre Chikungunya. De acordo com nota técnica divulgada ontem pela Secretaria da Saúde do Ceará, a doença foi diagnosticada num paciente do sexo masculino, de 25 anos de idade, residente de Pernambuco, que esteve visitando a família no município de Brejo Santo, desde o dia 1º de julho.

 

A Febre Chikungunya é originária de países da África e da Ásia, mas desde 2013 passou a ter transmissão autóctone, ou seja, transmissão se dá dentro do território nacional, em diversos países da América Central. O paciente em questão viajou para a República Dominicana entre os dias 12 e 30 de junho. Atualmente, o país encontra-se em epidemia da doença, com mais de 90 mil casos diagnosticados.

 

O paciente brasileiro já se recuperou e retornou para Recife na última quarta-feira. Além desta ocorrência, o Brasil só havia diagnosticado outros 20 casos da doença, todos importados.

 

Os sintomas da Febre Chikungunya, em sua forma aguda, aparecem de maneira busca e incluem febre alta, dor articular principalmente nas extremidades e grandes articulações, cefaleia e dor nos músculos. É possível ainda o aparecimento de exantemas maculopapular, ou seja, erupções cutâneas.

 

A doença pode levar de três a sete dias para se manifestar na pessoa infectada. Os sintomas podem durar por sete a dez dias, no entanto as dores nas articulações podem persistir por meses.

 

Transmissão

A febre Chikungunya é causada pelo vírus CHIK, do gênero Alphavirust, transmitido pela picada da fêmea dos mosquitos Aedes albopictus e Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue. O mosquito adquire o vírus ao picar uma pessoa infectada. Não existe transmissão entre duas pessoas.

 

De acordo com Anastácio Queiroz, infectologista e professor de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), a Febre Chikungunya possui sintomas parecidos aos da dengue, mas o que a diferencia são as fortes dores nas articulações. “São dores como a de uma artrite e podem continuar por muito tempo”, coloca.

 

O médico afirma que há um risco grande de a doença atingir maiores proporções no Brasil. “A Febre Chikungunya tem grandes chances de ter casos autóctones aqui no Ceará. É uma doença com origem africana, mas que já chegou no Caribe, na América Central e tem tudo para se tornar endêmica aqui também”, comenta Anastácio Queiroz.

 

A principal forma de evitar a enfermidade é por meio do combate ao mosquito transmissor. “Não é uma doença que tem um tratamento específico, como a dengue. O que nós podemos fazer é não descansar quanto à proliferação do vetor. É uma doença na qual a interferência do governo não tem muito poder, já que depende de cada pessoa vigiar os possíveis focos de desenvolvimento dos mosquitos, que são os ambientes com água parada”, alerta Anastácio Queiroz.

 

Ainda de acordo com o infectologista, não é possível fazer o controle de viajantes que chegam ao Ceará vindos dos países com manifestação da doença. “Esse tipo de controle é impossível de ser feito. Não tem como abordar passageiros de diferentes voos e interrogá-los, pois geralmente chegam no período de incubação dos vírus. E seria necessário uma equipe qualificada para fazer esse trabalho”, assevera Anastácio Queiroz.

 

No caso de suspeita da Febre Chikungunia, deve-se evitar o uso de medicamentos como AAS e anti-inflamatórios esteroidais, até que a hipótese de dengue seja descartada.

 

Analgésicos e antitérmicos podem ser utilizados para controle da dor e da febre, desde que sejam receitados por um médico. A automedicação pode mascarar os sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente.

 

Diário do Nordeste

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