Cidades dos Inhamuns e Sertão Central vivem 6º ano de seca

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19 ago 2015

Diário do Nordeste – Alguns municípios do Estado já enfrentam seis anos seguidos dos efeitos da estiagem prolongada que castiga o Ceará: perda de recursos hídricos acumulados nos reservatórios, queda na safra de grãos e chuvas abaixo da média. As regiões mais afetadas são Inhamuns e Sertão Central, que concentram 40 cidades, segundo critério de classificação da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

 

A irregularidade das chuvas e a baixa pluviometria contribuíram nos últimos anos para que os reservatórios não obtivessem recarga. FOTO: WALESKA SANTIAGO

A irregularidade das chuvas e a baixa pluviometria contribuíram nos últimos anos para que os reservatórios não obtivessem recarga. FOTO: WALESKA SANTIAGO

A irregularidade das chuvas e a baixa pluviometria contribuíram nos últimos anos para que os reservatórios não obtivessem recarga. “Para as regiões dos Inhamuns e Sertão Central podemos falar que há municípios que enfrentam seis, e não quatro anos seguidos de seca”, observou o titular da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira. “Este foi o pior ano desde 1998 para recarga dos açudes”.

 

Segundo dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos, dos 153 açudes monitorados, atualmente, 118 estão com volume inferior a 30%. O volume atual acumulado é de 17,4%. A tendência nos próximos meses é de perda seguida de água – por evaporação, consumo humano, animal e irrigação de culturas perenes e temporárias. Apenas três reservatórios estão com volume acima de 90%: Gameleira (92%) e Quandu (94%), em Itapipoca; e Tijuquinha (96%), em Baturité. O período chuvoso no Ceará ocorre de fevereiro a maio.

 

Situação grave

 

Em decorrência do baixo volume acumulado nos açudes, a situação é considerada grave, com perspectiva de agravamento nos próximos meses. “Os indicadores atuais não são favoráveis, mas vamos aguardar o próximo ano para verificarmos se teremos chuvas isoladas ou recargas nos açudes”, frisou Teixeira. “Podemos ter surpresa como recarga que houve em Itapipoca após a quadra chuvosa deste ano”.

 

O meteorologista da Funceme, David Ferran, esclarece que falar em seis anos seguidos de estiagem ou de ocorrência de chuvas abaixo da média não é bem apropriado, considerando que entre 2010 e 2015, o ano de 2011 foi exceção no Estado e registrou chuvas acima do esperado para o período. Nas regiões dos Inhamuns e do Sertão Central, o índice médio pluviométrico ficou 22% acima da média histórica e no Estado foi de 28,5%.

 

“É possível que se afirme que em algumas regiões há seis anos sem recarga nos reservatórios e sobre perda da lavoura precisaríamos observar município por município, a cada ano”, explicou Ferran. “Esse período de seis anos está mais relacionado com a falta de recarga nos reservatórios do que com chuva”.

 

O meteorologista observa que as chuvas verificadas em 2011 foram insuficientes para recarga em muitos reservatórios. “As precipitações precisam ser concentradas, em poucos dias, para obtermos recarga expressiva”, explicou. “Chuvas uniformes, bem distribuídas, fracas, mesmo em dias seguidos, não favorecem cheias dos açudes”.

 

O mapa de chuvas da Funceme, em 2011, registra precipitações abaixo da média, isto é, desvio negativo, em Quiterianópolis (10,3%); Parambu (21,6%); e Jaguaribara (24,7). Nos demais, foi positivo.

 

A região dos Inhamuns/Sertão Central, exceto o ano de 2011, vem registrando déficit anual de chuva desde 2010, quando se verificou índice negativo de 29,5%; em 2011, houve desvio positivo de 22%; em 2013, negativo de 56% (o maior dessa série histórica); em 2013, -38%; em 2014, -29,5% e em 2015, -39,8%.

 

Os açudes no Interior cearense falam por si mesmo. Nos sertões de Crateús, a bacia acumula apenas 2,78%. Em Crateús, os açudes Carnaubal e Realejo acumulam respectivamente, 0,03% e 1,44%. Em Independência, Barra Velha (0,6%), Cupim (2,93%), Jaburu II (8,4%). Em Ipaporanga, o São José III, secou. O mesmo ocorreu com o Flor do Campo em Novo Oriente e o Colina, em Quiterianópolis. O Sucesso em Tamboril acumula 21% e a Barragem do Batalhão em Crateús está com 64%.

 

Jaguaribe secando

 

No Alto Jaguaribe, o Açude Arneiroz II que é estratégico para o abastecimento das cidades de Tauá e Arneiroz, além da perenização do Rio Jaguaribe está secando. Acumula apenas 4,32%. Em Tauá, os açudes Forquilha II, Favelas, Trici, Várzea do Boi e Brôco secaram.

 

A Bacia do Banabuiú acumula apenas 4,51%. É a região onde está grande parte dos municípios e reservatórios da região Sertão Central.

 

A maior parte dos açudes secou ou está secando. O terceiro maior do Estado, o Banabuiú, está com menos de 1%. O Fogareiro em Quixeramobim secou e a Barragem que leva o nome da cidade está apenas com 2,48%. Em Madalena, o Umari secou e o mesmo ocorreu com o Vieirão em Boa Viagem.

 

O Serafim Dias, em Mombaça, está secando (1,71%). O São José II, em Piquet Carneiro, segue com apenas 1,46%. Em Boa Viagem, o São José I também chegou ao porão.

 

Para evitar colapso no sistema de abastecimento de água o governo intensificou a perfuração de poços profundos. As Adutoras de Montagem Rápida estão, na prática, com os dias contados, pois mediante a escassez de água nos reservatórios, a alternativa fica inviabilizada. Neste ano, há previsão de instalação de quatro adutoras para atender moradores das cidades de Quixeramobim, Arneiroz, Independência e Ibicuitinga.

 

A perspectiva para o ano que vem não é favorável. Caso as condições atuais permaneçam, o próximo ano deverá registrar chuvas abaixo da média, sem recarga na maioria dos reservatórios. Resultado: a situação tende a se agravar ainda mais no sertão cearense.

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