Contra pornô de vingança, aplicativo protege vídeos íntimos com senha dupla

Contra pornô de vingança, aplicativo protege vídeos íntimos com senha dupla

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5 ago 2014
Aplicativo Disckreet está disponível somente para dispositivos iOS, da Apple. Criador planeja versão para Android

Aplicativo Disckreet está disponível somente para dispositivos iOS, da Apple. Criador planeja versão para Android

O casal apaixonado aproveita um momento de intimidade e tira fotos sensuais com o celular. Pouco tempo depois, terminam o relacionamento, mas um deles se sente rejeitado. Num ímpeto de vingança, divulga na internet as imagens sexuais com o intuito de difamar a outra pessoa. Esse é um exemplo de “revenge porn”, ou pornô de vingança.

 

O aplicativo Disckreet busca inibir a prática, exigindo duas senhas – uma de cada parceiro – na hora de registrar e também acessar os registros íntimos. Ele foi lançado em julho apenas para dispositivos iOS, na App Store, por US$ 0,99 (cerca de R$ 2,2).

 

O australiano Antony Burrows, 36, conta que criou o programa para os usuários terem controle sobre sua privacidade. “Foi desenvolvido como uma maneira segura de registrar momentos íntimos quando o casal está junto”, afirmou ao UOL Tecnologia. Ele teve a ideia veio após ler um artigo sobre o crescimento do número de vídeos íntimos de celebridades que vazam na internet.

 

O desenvolvedor também conta que cogitou permitir que o app funcionasse com mais de duas pessoas – gerando mais senhas, por exemplo – mas que acabou deixando a ideia de lado. “Acreditei que a maioria dos usuários seriam casais e que outras funções, ainda que úteis para alguns, deixariam o aplicativo mais complicado para o público-alvo”.

 

A equipe do Disckreet é de apenas duas pessoas: Burrows cuida do desenvolvimento e plano de negócios, enquanto sua mulher é responsável pelo marketing e relacionamento com imprensa. Ele não revela números de acessos ou downloads, apenas que a maior base de usuários está nos Estados Unidos. Para o futuro, planeja uma versão compatível com dispositivos Android.

 

Como funciona
“Quando o app é usado pela primeira vez, ele pede que o primeiro usuário escolha uma senha. Depois, deve passar o dispositivo para a segunda pessoa, que escolherá outra combinação”, explica Antony.

 

A partir daí, os dois parceiros devem inserir suas combinações para fazer login no app, podendo então tirar fotos e vídeos ou rever o conteúdo. Os dados são salvos apenas no dispositivo e não são enviado para a internet. Também é possível importar para o Disckreet imagens e vídeos de outros programas, protegendo o conteúdo com as senhas.

 

Por segurança, não é possível mudar as senhas, mas é possível apagar todos os vídeos e fotos registrados pelo app sem o uso das combinações secretas.

 

Pornô de vingança
Segundo estudo da McAfee realizado em 2013, um em cada dez norte-americanos ameaçou vazar fotos ou vídeos sensuais do ex-parceiro na internet – 60% das vezes, chegou a compartilhar o conteúdo sem consentimento.

 

Cada país tem seus mecanismos de defesa contra a prática. No Brasil, o Marco Civil, espécie de constituição da internet que entrou em vigor em 23 de junho, determina que o provedor de aplicações (ex: Facebook ou Google) deve retirar o material do ar caso seja notificada pela pessoa lesada ou um representante legal.

 

A lei 12.737/2012, também conhecida como Lei Carolina Dieckmann, pode ajudar quem se sentir lesado. A lei, que ganhou o apelido após o caso de fotos vazadas da atriz repercutir muito em 2012, prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem invadir computadores alheios ou outro dispositivo de informática, com a finalidade de adulterar, destruir ou obter informações sem autorização do titular.

 

Uol Tecnologia

 

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