Crescimento da frota de automóveis recua no Ceará

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9 jul 2014
Foto: Kid Júnior

Foto: Kid Júnior

Um desafio constante para aqueles que trabalham com mobilidade urbana é desafogar os gargalos de trânsito, ao mesmo tempo em que a frota de veículos não para de crescer. Indício importante para essa tarefa pode ser o registro de queda no crescimento da frota de veículos no Ceará durante o mês de junho, conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE). Para especialistas, podem estar entre as causas desse fenômeno o recuo no desempenho dos setores industrial e comercial automotivo de veículos novos, além do desenvolvimento de políticas de mobilidade urbana.

 

Foram implantados 14.288 veículos no território estadual no mês passado. Os principais são as motocicletas, com 6.662 unidades, e, em seguida, automóveis particulares convencionais, com 4.649 veículos incrementados. A frota de ônibus e microônibus foi ampliada com 611 unidades. Em relação aos demais meses do ano, junho teve o menor índice de crescimento, 0,62%. Em junho de 2013, entretanto, período em que a indústria automobilística brasileira alcançou recorde de produção e venda, o aumento da frota foi superior, com 17.496 unidades adicionadas, o que resultou no crescimento de 0,78%.

 

No primeiro semestre de 2014, a frota total de automóveis no Ceará alcançou 2.468.447 unidades. Só em Fortaleza, são 925.686 veículos, para 1.542.761 no Interior do Estado. A variação desse montante registrou 3,87% de evolução da frota neste ano, diminuída em comparação ao mesmo período do ano anterior, cujo aumento foi de 4,43%. Em números exatos, a paridade aponta incremento de 93.766 veículos neste ano, contra 96.822 no primeiro semestre de 2013.

 

Na análise de profissionais da área, o movimento de retração pode ser causado pela queda no desempenho da indústria automotiva, em detrimento dos resultados alcançados pelo setor no ano anterior. Além disso, as políticas de mobilidade urbana conquistaram maior visibilidade.

 

A assessoria de imprensa do Detran observa que a retração está ligada, especialmente, às reduções nas vendas de veículos novos. “A queda na comercialização de veículos novos é reflexo do mercado, com base no retorno do percentual normal da incidência do IPI, pelo governo federal, refletindo no preço. Porém, o número de veículos nas vias públicas continuará sofrendo alterações, porque as vendas se mantêm. E os congestionamentos também”.

Mobilidade

Em 2012, foi sancionada Lei Federal 12.587/12 que institui diretrizes para a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU). O prazo de abril de 2013 foi estipulado para que as cidades de maior porte – acima de 20 mil habitantes – apresentassem plano de mobilidade, alinhado aos Planos Diretores, previsto no Estatuto das Cidades. Entre as diretrizes, uma delas estabelece como prioridade o transporte público e não motorizado.

 

“Do ponto de vista de mobilidade urbana sustentável, (o resultado) é algo a ser valorizado, uma vez que a redução pode indicar menos automóveis nas ruas, menor insalubridade do ar, menos engarrafamentos, leve diminuição de acidentes”, avalia Gislene Macêdo, professora doutoranda da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisadora em Mobilidade Humana.

 

Entre as intervenções, a Prefeitura de Fortaleza colocou em prática o Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito (Paitt). Ele elenca medidas de mobilidade, como o binário nas avenidas Santos Dumont e Dom Luís. Nesses locais, o tempo de permanência no trânsito foi reduzido em cerca de 46%, segundo a Prefeitura.

 

Na análise de Gislene, o cerne da questão diz respeito ao pedestre. “Os traçados das vias evidenciam que ainda se prioriza o automóvel em detrimento do transporte público. Claro que a fluidez melhorou para os automóveis. Experimente ficar numa parada de ônibus das avenidas do binário e conhecerá as dificuldades”, destaca.

 

Para urbanista, há mais conscientização

Na perspetiva da urbanista Beatriz Rodrigues, membro da Associação dos Ciclistas Uranos de Fortaleza (Ciclovida), desde o ano passado, a população está se conscientizando sobre as questões de trânsito e mobilidade.

 

“Às vezes, só quando sentem na pele, como por exemplo, quando ficam muito tempo parados no trânsito, o que provoca atrasos ou mesmo assaltos”, avalia Beatriz.

 

A urbanista pondera a importância do planejamento para a mobilidade urbana, antes de realizar intervenções pontuais. Para ela, as ações deveriam estar fundamentadas em um Plano de Mobilidade Urbana, ou pelo menos interligadas. “Não que as intervenções pontuais sejam insignificantes, mas ressaltamos a importância do diagnóstico do problema”, comenta Beatriz.

 

Fortaleza conta com um projeto em desenvolvimento pela Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), que deve ser entregue em 2015.

Fonte: Diário do Nordeste

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