Curta duração de La Niña pode manter estiagem no Ceará

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4 ago 2016

(Foto: Antônio Carlos Alves DN)

Ainda é cedo para definir as probabilidade de chuvas para o próximo ano – o que deve ocorrer somente na segunda quinzena de janeiro – mas o quadro climático não é dos melhores. É alta a possibilidade de o fenômeno La Niña – um dos principais aliados para o registro de chuvas no Ceará – ocorrer no trimestre setembro, outubro, novembro de 2016, mas ter curta duração. Aparentemente, ele não deve se estender até o segundo trimestre de 2017 – março, abril e maio – meses com maior percentual de chuvas no Estado. O que está deixando os meteorologistas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) cautelosos.

 

O La Niña, como afirma o meteorologista da Funceme, David Ferran, precisaria ser de maior intensidade para garantir um ano bom em precipitações. “Caso a previsão mostrasse uma persistência da Niña até maio, estaríamos mais otimistas, pois nunca houve ano seco quando tivemos Niña até o fim da quadra chuvosa. Mas, essa tendência de neutralidade nos deixa mais cautelosos”, explica. A neutralidade a que se refere é a das temperaturas do Pacífico entre os meses de março, abril e maio de 2017. Ou seja, sem alteração na temperatura do oceano, nem para baixo, nem para cima. Se esquentasse, o fenômeno seria La Niña; se esfriasse, El Niño.

 

Condições

 

De acordo com o meteorologista, desde 1950, condições de neutralidade como essa, no trimestre em questão, ocorreram em 38 anos. Desses, no Estado do Ceará, houve seca em 12; as chuvas ficaram na média em 13 e os outros 13 foram chuvosos. O quadro se mostra diferente de 2015, quando as análises feitas indicavam 65% da probabilidade das chuvas ficarem abaixo da média no Estado entre fevereiro e abril de 2016.

 

A preocupação de Ferran é semelhante à da geógrafa do Laboratório de Climatologia Geográfica e Recursos Hídricos da Universidade Federal do Ceará, Elisa Zanella. “As águas do Atlântico mais quentes vão posicionar a zona de convergência intertropical. Se as águas estiverem mais quentes abaixo do equador, ocasionando mais chuvas não adianta falar nada agora. É muito cedo. Sobre a situação neutra estimada no Pacífico, a especialista conta que “é mais animador do que se tivermos com o El Niño fundamental certo”.

 

Elisa defende a necessidade de se realizar um melhor monitoramento das águas do Atlântico, visto que boa parte de nossas chuvas são ocasionadas graças aos movimentos realizado no Atlântico. A esperança está nele.

 

SAIBA MAIS

 

Efeitos do La Niña no clima

 

Entre dezembro e fevereiro:

Aumento das chuvas na região Nordeste do Brasil/ Temperaturas abaixo do normal para o verão, na região Sudeste do Brasil

Entre os meses de junho a agosto:

Inverno seco na região Sul e Sudeste do Brasil/ Aumento do frio na costa oeste da América do Sul;

 

Efeitos do El Niño

 

Os ventos sopram com menos força na região central do Oceano Pacífico/ Acúmulo de águas mais quentes do que o normal na costa oeste da América do Sul/ Intensificação da seca no Nordeste brasileiro

Pacífico Neutro

O Oceano é considerado neutro quando não é apresentado nenhum dos fenômenos, o El Niño e La Niña

 

Fonte: Diário do Nordeste

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