Década de 2010 nem acabou e já é a mais seca da história do Ceará

Década de 2010 nem acabou e já é a mais seca da história do Ceará

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6 mar 2017

Um levantamento realizado pelo Tribuna do Ceará, tomando como base as estatísticas anuais da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), apontou que em apenas sete anos esta década já se configura como a mais seca da história do Ceará desde que o monitoramento começou a ser realizado.

 

Chuvas foram ficando cada vez menos frequentes ao longo dos anos (FOTO: Reprodução)

 

Conforme os dados da Funceme, entre os anos de 2010 e 2016, pelo menos cinco registraram chuvas abaixo da média e apenas um acima da média.

 

O monitoramento da Fundação ressalta dados interessantes em relação às chuvas no Estado. Conforme a análise, o Ceará registrou chuvas abaixo da média durante 20 anos nas últimas quatro décadas. No levantamento também é possível identificar que a estiagem do Ceará foi crescendo ao longo dos anos.

 

Na década de 1980, o Ceará registrou cinco anos com chuvas acima da média e cinco abaixo. Na década seguinte a situação foi um pouco diferente, quando a fundação contabilizou três anos com chuvas acima da média, três anos de chuvas na média e quatro anos com chuvas abaixo da média histórica.

 

Os dados da Funceme apontam que a partir da década de 2000 a situação piorou significativamente. Entre os anos de 2001 e 2010, o monitoramento apontou que apenas em dois anos (2004 e 2009) as chuvas do Ceará ficaram acima da média. Nos outros seis anos, quatro deles ficaram abaixo da média e outros quatro na média histórica.

 

O órgão informa que desvio de 15%, para mais ou para menos, já significa que as chuvas estão em torno da média. Segundo o meteorologista da Funceme Raul Fritz, essa mudança ainda está em estudo.

 

“Esse é um fenômeno que ainda é objeto de estudo para os meteorologistas. Houve uma maior frequência de aquecimento acima da média na parte do Atlântico Tropical Norte, então isso tende a diminuir as chuvas relacionadas às zonas de convergência intertropical. Ou seja, o aquecimento das bacias que compreendem o Nordeste ficou mais crítico e isso faz com que as chuvas fiquem menos frequentes durante o ano”, explica.

 

Ainda conforme Raul, há especialistas que apostam em outros motivos. “Alguns meteorologistas supõem que o motivo para essa piora no quadro das chuva possa ser efeito do aquecimento global. Porém, ainda é um caso que será estudado e avaliado pelos especialistas”, detalha.

 

Expectativa positiva

 

Apesar de passar cinco anos consecutivos de estiagem, este ano deve ser um pouco mais positivo para os cearenses. De acordo com os estudos feitos pela Funceme, a probabilidade de que as chuvas sejam em torno da média histórica entre março e maio é de 43%. Já a probabilidade de que sejam abaixo da média é de 37%. Acima, apenas 20%.

 

Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), com as últimas chuvas, os reservatórios do estado tiveram um aporte de quase 95 milhões de metros cúbicos. Mesmo assim, hoje o volume armazenado não chega nem a 7% da capacidade total.

 

Fonte: Tribuna do Ceará

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