E agora, Aécio?

E agora, Aécio?

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2 nov 2014

Não é possível que um político que ganhou destaque a nível nacional, conseguindo dividir o Brasil em termos de opiniões e idéias de mudança, possa se calar diante do que aconteceu na campanha para presidente da República. Logo ele, que foi vítima de um pleito perverso, arquitetado pelos donos do poder, coadjuvados por uma aparelhagem de bondades, tipo bolsas preguiças e tantas outras peripécias governamentais.

 

O Aécio ganhou muita coisa com esta eleição: admiração, notoriedade e o respeito de muita gente, tanto é que hoje é tido como o principal nome da oposição. O projeto de mudanças não pode sucumbir diante do medo ou da covardia. Aliás, esta última é das principais características da maioria dos políticos brasileiros.

 

Talvez seja cedo, para cobrarmos do Aécio uma reação diante do que está posto. Não podemos acreditar que aquele político aguerrido, com ideais de luta, silencie depois de ter recebido dos brasileiros, mais de 50 milhões de votos. Com esse resultado, o País foi dividido ao meio. Certamente, o povo não queria Dilma. A vitória dela foi um acidente político, e dos grandes.

 

Ou então, refletindo melhor, a derrota do Aécio, pode ter sido causada por incompetência dele mesmo. São várias análises, que se forem expostas levará muito tempo. A verdade é que quando se perde uma eleição, ou jogo de futebol, fica-se procurando culpados. O eleitor brasileiro pode também ser o culpado, dependendo agora do desempenho da candidata reeleita. Se continuar fracassando administrativamente, a culpa recai definitivamente sobre quem ajudou a recolocá-la no poder.

 

A oposição tem que cumprir o seu papel de fiscalizar, cobrar e ficar atenta às questões que devem ser resolvidas neste País. O Aécio não deve continuar sendo simplesmente o senador por Minas Gerais. Hoje tem a responsabilidade de preocupar-se com o Brasil por inteiro, pois se tornou, com os milhões de votos obtidos, a principal liderança de oposição, podendo continuar oferecendo ao povo suas idéias e capacidade intelectual.

 

O PSDB não pode dar-se ao vexame de querer contestar o resultado da eleição, baseado em fofocas e boatos, só para gerar discussões com o adversário e contrariar o trabalho do TSE. Sabemos que isso não leva a nada, o resultado está posto e não há como continuar criando caso sobre a situação. A discussão, doravante, tem que ser outra. A solução de problemas que este País almeja é muito mais importante do que questiúnculas políticas. Cabe agora, todo mundo descer do palanque e começar a trabalhar. E… logo!

 

Quando digo que o Aécio e seus aliados têm que reagir não é da forma como aconteceu na campanha: falando só de inflação e escândalo da Petrobras. Na reta final faltou mais, talvez mais coragem de enfrentar o próprio Lula, que resolveu já nos finalmentes do pleito, botar as ”mangas de fora”, pousando de santo e defensor dos humildes, dizendo-se ser o melhor do mundo. Preocuparam-se só com a Dilma e esqueceram-se do Lula que devagarzinho foi arquitetando manobras duvidosas pra não perder as eleições.

 

Faltou perspicácia também da oposição. Mas como eu disse, não adianta mais. Resta agora, superar os erros cometidos e torcer para que esses eleitos pensem mais neste Brasil e evitem decepcionar um povo que ainda acredita em dias melhores, apesar dos pesares.

 

Pedro Guedes

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