Governo compra usina por R$ 15 mi para plantar banana

Governo compra usina por R$ 15 mi para plantar banana

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19 jan 2016

Dois anos e seis meses depois de investir R$ 15,4 milhões para arrematar a Usina Manoel Costa Filho, em Barbalha, o Governo do Estado do Ceará mantém o equipamento parado. A compra aconteceu em junho de 2013, durante um leilão realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Fortaleza. Na época, a compra foi questionada pela oposição, que avaliou a medida como eleitoreira.

 

Usina foi adquirida pelo Governo do Estado, por R$ 15,4 milhões, em junho de 2013 (Foto: Serena Morais)

Usina foi adquirida pelo Governo do Estado, por R$ 15,4 milhões, em junho de 2013 (Foto: Serena Morais)

 

A promessa do então governador Cid Ferreira Gomes, filiado ao PSB, era fazer um investimento de R$ 176 milhões em apenas cinco anos. Sob a responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) e da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), foi prometida a geração de 1.200 empregos diretos e 2.500 indiretos.

 

Hoje, moradores e políticos locais observam que os equipamentos continuam enferrujando e nenhum pé de cana foi plantado para alimentar uma possível produção. O vereador Rildo Teles (PSL), um dos denunciantes do uso eleitoral do investimento, afirma que o compromisso do Governo do Estado é continuar enganando o povo de Barbalha.

 

O parlamentar observa que nunca existiram planejamento e vontade política para colocar a Usina em atividade. “Não existe usina sem plantio de cana. Ao redor, só existe plantio de banana. Além disso, o Governo do Estado não adquiriu terra nas proximidades da Usina, nem articulou com produtores. Ou seja, não tem plantio e nem terra para plantar. A promessa sempre foi mentirosa”, denuncia Rildo.

 

Em novembro de 2014, o empreendimento trocou de CNPJ e passou a se chamar Usina Cariri. A solenidade para formalização da nova empresa foi anunciada, assim como o início dos trabalhos no local. Limpeza da área, recuperação e compra de maquinário foram prometidos junto ao investimento inicial de R$ 34 milhões.

 

O Governo do Estado chegou a anunciar um contrato, em regime de comodato, com um consórcio de seis empresas para assumir a Usina. O grupo OTS, com atuação na Ásia, América Latina e Europa, teria assumido um contrato por quatro meses, com a Adece e DAS, para administrar o empreendimento.

 

O vereador André Feitosa (PPS) disse que o grupo empresarial chegou a se instalar na cidade e fazer contratações. Mas, segundo o vereador, “o grupo anoiteceu e não amanheceu”, deixando os trabalhadores e a população sem respostas, nem esperança. “A empresa trouxe containers e muita expectativa, mas a frustração foi total,” lembrou André.

 

Rildo Teles e André Feitosa devem enviar ofício ao atual governador Camilo Santana (PT) pedindo explicação sobre o funcionamento da Usina, previsto para junho de 2015. Caso não haja uma explicação convincente ou omissão na resposta, os parlamentares barbalhenses prometem recorrer ao Ministério Público do Estado (MPCE). Eles querem a apuração das responsabilidades do investimento e das promessas não cumpridas.

 

O equipamento

 

A usina está desativada desde 2004. O declínio da empresa foi acompanhado da queda no cultivo da cana-de-açúcar na região. Os mais de 60 engenhos se resumiram a cerca de quatro na atualidade. A expectativa da população era que a usina fomentasse a reabertura dos engenhos nas localidades rurais de Barbalha.

 

Tentamos contato com o gerente geral da Usina, Henri Paulo, mas ninguém foi encontrado no local. A assessoria do Governo Municipal disse não ter qualquer responsabilidade sobre o empreendimento. Segundo a assessoria de comunicação da Adece, o órgão continua prospectando investidores para a retomada do funcionamento da Usina Cariri. Em virtude da crise econômica nacional, bem como os fatores climáticos, os empresários têm se comportado de forma conservadora, adiando a realização de investimentos em novos empreendimentos. A Adece acredita que, com a concretização da transposição do Rio São Francisco e do Cinturão das Águas, o cenário ficará mais favorável para a captação e realização dos investimentos necessários.

 

Jornal do Cariri

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