Investigações descobriram a venda de liminares no TJCE

PUBLICIDADE
30 set 2015

Diário do Nordeste – As investigações da ´Operação Cardume´ acabaram trazendo à tona um escândalo: a venda de liminares nos plantões do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Foi durante as apurações acerca da quadrilha de tráfico internacional de droga, que os policiais federais descobriram um detento negociando uma liminar de dentro do presídio.

 

Em junho deste ano, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. FOTO: NATINHO RODRIGUES / DIÁRIO DO NORDESTE

Em junho deste ano, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. FOTO: NATINHO RODRIGUES / DIÁRIO DO NORDESTE

Segundo Wellington Santiago, titular da Delegacia Regional Executiva, pelo menos três dos acusados de fazer parte da quadrilha foram beneficiados com o pagamento de propina a desembargadores cearenses. “Três magistrados estariam relacionados a decisões em favor deste grupo. Os três magistrados sabiam que estavam beneficiando uma grande organização de tráfico internacional. Os integrantes do bando foram liberados em julho de 2013, que é quando já se tem comprovação da compra de decisões judiciais”, explicou.

 

Conforme a PF, não foram estes criminosos que iniciaram o esquema dentro do TJCE. Segundo Santiago, os advogados já tinham conhecimento desta possibilidade de liberação mediante pagamento de propina aos desembargadores e investiram nisto. “O primeiro contato era do traficante com o advogados dele, que entrava em contato com um intermediário, que negociava com o desembargador”.

 

Segundo Santiago, no plantão de 7 de julho de 2013, foram deferidos dez habeas corpus. A estimativa é que neste dia, o esquema de venda de liminares tenha movimentado um milhão e meio de reais. “As sentenças variavam de preço, por motivos diversos. As propinas iam de R$ 100 a 300 mil. Os investigados da ´Operação Cardume´ mais de uma vez pagaram estas quantias elevadas para serem soltos”, declarou o delegado.

 

Wellington Santiago disse que as investigações continuam, mas já existem indícios suficientes que comprovam os crimes. O delegado afirmou que a lista de advogados envolvidos aumenta a cada dia. “Com a análise do material apreendido estamos nos deparando a cada dia com mais pessoas suspeitas e com eventos novos, que podem ser criminosos”, afirmou.

 

Como as liminares teriam sido negociadas de dentro dos presídios cearenses, desta vez os presos pela ´Operação Cardume´ ficarão custodiados em presídios federais, considerados mais seguros. Na noite de ontem, 14 dos 21 presos já foram transferidos.

 

Jarderlyer Lima disse que a ´Operação Cardume´ tirou de circulação as pessoas que movimentavam o esquema. “Desta vez a operação prendeu quem tinha o dinheiro para pagar os desembargadores”, ressaltou.

 

Os desembargadores Paulo Timbó e Carlos Feitosa serão investigados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pela suposta venda de decisões. Contra Francisco Pedrosa está em votação um pedido de abertura de procedimento administrativo disciplinar, bem como afastamento das funções.

Comentários