IPI menor vai até dezembro; mercado em baixa

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1 jul 2014
Foto: Fabiane de Paula

Foto: Fabiane de Paula

Por conta do fraco desempenho do setor automotivo neste ano, que registrou queda de 5,4% nas vendas de janeiro a maio, ante o mesmo período do ano passado, o governo decidiu manter reduzidas as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, que deveriam ter voltado ao normal hoje. A decisão foi anunciada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, após reunião realizada com representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em Fortaleza, o setor mostrou-se satisfeito com a manutenção do incentivo, já que o mercado também está em queda, tendo inclusive registrado, em junho, recuo de 3% nas vendas.

“Ainda não temos os dados fechados de junho, mas até o dia 27 haviam sido vendidos 4.210 veículos em Fortaleza, número 3% inferior ao registrado em maio”, diz o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores no Ceará (Fenabrave-CE), Fernando Ponte. “Se o governo tivesse baixado ainda mais as alíquotas, como o setor gostaria, com certeza teríamos uma melhoria significativa nas vendas. Como não houve mudança, a tendência é que permaneça tudo como está, com o mercado em queda” explica.

Fernando Ponte disse ainda que a Copa do Mundo tem impactado negativamente nas vendas de veículos, tendo em vista que “vários dias úteis foram perdidos por conta dos jogos”. Ele afirma que a expectativa é fechar 2014 com 55 mil carros vendidos em Fortaleza, 5 mil a menos do que os 60 mil do ano passado.

Até dezembro

Conforme Mantega, a nova previsão é que o incentivo governamental siga até dezembro deste ano. Com isso, a alíquota para carros com motor 1.0, que deveria voltar a 7%, vai continuar em 3%. Para veículos com motor flex até 2.0, a alíquota retornaria para 11%, mas seguirá em 9%. “Vamos manter estas alíquotas para estimular as vendas do setor”, ressaltou o ministro.

Ainda segundo o titular do Ministério da Fazenda, a renúncia fiscal com a manutenção do IPI será da ordem de R$ 800 milhões. Mantega acrescentou ainda que o governo deixou de arrecadar um montante de mesmo volume no 1º semestre, com as alíquotas atuais do imposto.

Recuperação esperada

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flavio Meneghetti, afirmou ontem que a manutenção da alíquota do IPI sobre automóveis novos até dezembro “é fundamental para a recuperação nas vendas de veículos”, principalmente no segundo semestre.

“Estamos em um ano com mais dificuldades na economia. A Copa afetou o comércio de uma forma geral e o IPI aumentado traria um reajuste de até 5% no preço final. O mercado não suportaria um impacto dessa magnitude”, disse Meneghetti.

Segundo ele, a queda estimada de 7% nas vendas de veículos novos do primeiro semestre de 2014 ante igual período de 2013 pode ser revertida “em parte” no segundo semestre, já que o período terá mais dias úteis. “Poderemos melhorar isso e ter segundo semestre mais produtivo. Mas ainda não temos uma estimativa”, disse, antes de elogiar o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “O ministro está atento, envolvido e preocupado com que acontece com o mercado”.

Crédito influenciou

Guido Mantega também disse nesta segunda-feira que “uma série de motivos, entre os quais a questão do crédito”, influenciou na decisão de adiar a alta do IPI. Conforme disse, houve uma diminuição de crédito e um encarecimento nesse período e também no período mais atual.

O ministro afirmou ainda que a Copa do Mundo, “apesar de estar sendo um sucesso” e de ser boa para o País, tem impactos negativos no setor automotivo. “

Foram sete dias úteis a menos, o que influenciou as vendas”, disse. “Temos que tomar as medidas para viabilizar um segundo semestre melhor”, concluiu ontem o ministro.

Fonte: Diário do Nordeste

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