Jornalista da Globo é detido com 240 quilos de falsa cocaína

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13 out 2015

Notícias da TV – O jornalista Alex Barbosa, da TV Centro América, afiliada da Globo em Mato Grosso, foi detido ontem (12) à noite quando simulava o transporte de cocaína da Bolívia para o Brasil, em uma reportagem para testar a fragilidade do combate ao tráfico de drogas na fronteira do Brasil com a Bolívia.

 

O repórter Alex Barbosa, da afiliada da TV Globo em Mato Grosso, a TV Centro América. FOTO: REPRODUÇÃO / TV CENTRO AMÉRICA

O repórter Alex Barbosa, da afiliada da TV Globo em Mato Grosso, a TV Centro América. FOTO: REPRODUÇÃO / TV CENTRO AMÉRICA

 

Barbosa, dois funcionários da Centro América e um motorista boliviano foram detidos em flagrante com 240 quilos de gesso em pó na BR 070, em Cáceres (MT). Eles foram conduzidos à Polícia Federal da cidade e liberados, por volta das 3h de hoje (13), após prestarem depoimentos. O jornalista não considera ter fracassado na reportagem. “A gente ficou das 8h da manhã às 8h da noite rodando com esse carro [com falsa cocaína]. Já tínhamos rodado 600 km quando fomos abordados”, disse ao Notícias da TV.

 

Barbosa foi detido por policiais do Gefron (Grupo Especial de Fronteira), unidade da Polícia Militar de Mato Grosso que faz combate ao tráfico por meio de policiamento ostensivo. O jornalista e equipe estavam em dois carros, um Gol e uma Parati, ambos da TV Centro América. Segundo a PM de Cáceres (MT), uma patrulha do Gefron viu os dois carros trafegando pela rodovia os abordou. Os veículos teriam levantado suspeita porque estavam “baixos”, devido ao peso da carga, segundo a Polícia Militar.

 

Em um exame preliminar, a PF constatou que o material que eles transportavam não era entorpecente. A falsa droga estava acondicionada em pacotes semelhantes aos usados por traficantes. Mesmo assim, um inquérito policial foi instaurado, e o material apreendido será analisado por peritos no Setor Técnico-Científico da Polícia Federal em Cuiabá.

 

Segundo policiais que participaram da operação, Barbosa e o motorista boliviano iam no carro da frente, uma Parati. O boliviano foi contratado porque conheceria bem a região. No veículo de trás, ia um cinegrafista da TV Centro América.

 

A reportagem não estava sendo produzida para um telejornal específico, mas a Globo no Rio estava ciente e poderia aproveitá-la, se quisesse, no Jornal Nacional. “Era, a princípio, para sair em rede nacional”, diz Barbosa.

 

“A gente já tinha informações sobre a fragilidade da segurança na fronteira do Mato Grosso com a Bolívia. O efetivo da Polícia Federal na região é pequeno demais. Não tem monitoramento aéreo no Mato Grosso do Sul. O Gefron tem 90 homens para vigiar 900 quilômetros em quatro turnos. A gente estava procurando exemplos dessa fragilidade”, afirma.

 

Segundo Barbosa, ele e sua equipe saíram de Cuibá e foram até Cáceres com os 240 quilos de gesso. De lá, rodaram até a fronteira da Bolívia e voltaram para Cáceres novamente, onde almoçaram. Após captar imagens e gravar passagens, retornavam para Cuiabá, à noite, quando foram abordados pela polícia. “A gente passou pelos três vezes pelos mesmos pontos. Mostramos postos da Polícia Rodoviária vazios”, conta.

 

Pacotes de falsa cocaína apreendida pela polícia do Mato Grosso com o repórter Alex Barbosa.

Pacotes de falsa cocaína apreendida pela polícia do Mato Grosso com o repórter Alex Barbosa.

 

Suspeita

 

A produção da reportagem foi informada previamente ao Ministério Público Federal, em procedimento recomendado por advogados da Globo. Em ofício na última sexta (9), “com o objetivo de preservar os profissionais envolvidos na produção”, Barbosa informou a procuradores da República em Cuiabá que iria realizar a reportagem, a fim “de testar a fiscalização dos órgãos competentes nas fronteiras de Mato Grosso”.

 

Blogs do Estado estão levantado a suspeita de que a polícia tenha sido avisada da reportagem. Cópias do e-mail de Barbosa ao Ministério Público teriam circulado ontem durante o dia.

 

A Globo, em nota, afirmou que o material “era uma iniciativa da própria TV Centro América, para o noticiário local. Para a pauta sobre a falta de fiscalização nas fronteiras, a equipe de reportagem não usou nenhum tipo de substância ilícita. O teste comprovou que era gesso em pó e a equipe foi liberada”.

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