Prepare o bolso: Energia elétrica deve subir 38,3% este ano

Prepare o bolso: Energia elétrica deve subir 38,3% este ano

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13 mar 2015
O reajuste médio proposto pela agência atualmente é de 14,67%. Sendo 9,7% para o residencial e 26,55 para o industrial. FOTO: DIVULGAÇÃO

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A tarifa de energia elétrica deve ficar 38,3% mais cara neste ano, de acordo com estimativa publicada ontem, pelo Banco Central (BC), um crescimento em relação a janeiro, quando a estimativa era de um encarecimento de 27,6%. A projeção faz parte da ata da última reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, ocorrida na semana passada, quando a taxa Selic foi elevada de 12,25% para 12,75%, maior patamar em seis anos.

 

De acordo com o Banco Central, a estimativa de alta no preço da energia elétrica é reflexo do repasse às tarifas do custo de operações de financiamento que foram contratadas em 2014. No início deste mês, as contas de energia do País já subiram, em média, 23,4%.

 

Mas a energia não é o único item dos preços administrados – aqueles cujo reajuste de preços é determinado pelo governo – que deve subir mais neste ano. Outros itens importantes no consumo dos brasileiros também devem ter altas significativas.

 

No conjunto dos preços administrados, a ata do Copom, divulgada ontem, elevou a alta para 2015 de 9,3% para 10,7%. No caso de 2016, a previsão de alta de 5,1% desse conjunto de preços foi substituída por uma elevação de 5,2%.

 

Para formar seu cenário para os preços administrados, o Banco Central informou também que levou em conta hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, mesmo valor do documento anterior.

 

Assim como no documento de janeiro, o BC voltou a explicar no documento que a alta da gasolina é reflexo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e da PIS/COFINS.

 

Telefone mais barato

 

Um item, contudo, apresentou uma projeção positiva para a população. De acordo com o Banco Central, para a telefonia fixa, a previsão é de uma queda de 4,1%, em 2015, ante expectativa anterior do começo do ano de elevação de 0,6%.

 

Com esse novo cenário, o Copom ressaltou que o consumo das famílias tende a se estabilizar neste anos.

 

Especialistas apostam em juros mais altos em abril

 

São Paulo. O economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, avaliou que a ata do Copom do Banco Central, divulgada ontem, é “praticamente idêntica à anterior”. “A única coisa que é informação nova é que, a despeito de o câmbio ter piorado, a projeção para a inflação em 2016, em ambos os cenários (referência e mercado) caiu e, ainda que nos dois cenários ela esteja acima de 4,5%, deve estar já próxima dos 4,5%”, disse. “Estamos na iminência de uma pausa no aperto, a depender do câmbio”, acrescentou.

 

Para ele, “a porta está aberta, para 0,25 ponto porcentual ou 0,50 ponto porcentual em abril”, referindo-se ao aumento da Selic por parte do Copom, na próxima reunião. “Vai depender da evolução dos indicadores até lá”, disse, acrescentando que o câmbio é uma variável “importantíssima” para acompanhar.

 

Já na avaliação do Barclays, a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, no final do mês, será “crucial” para determinar o rumo do atual ciclo de alta da taxa Selic. O banco diz que a ata trouxe pouca informação sobre a condução dos juros. Para o banco, o BC deixou a porta aberta para outra alta de 0,50 ponto porcentual na Selic ou mesmo de 0,25 ponto porcentual no encontro de abril. O banco estima Selic indo a 13,00% na próxima reunião, mas não descarta um aumento para 13,25% ao ano.

 

Inflação perto da meta só em 2016

 

Brasília. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom)mostra que o Banco Central não tem mais a percepção de que a inflação entre em 2015 em um longo período de declínio, ao contrário do que constava na ata de janeiro.

 

No relatório divulgado ontem, o BC observa que o fato de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em grande parte, a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na economia. Esses processos de ajustes são realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e o realinhamento dos preços administrados em relação aos livres.

 

O comitê considerou ainda que, desde sua última reunião, entre outros fatores, a intensificação desses ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável para este ano. “Nesse contexto, e conforme antecipado em notas anteriores, esses ajustes de preço fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015”, admitiu. Ao mesmo tempo em que reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre a inflação, o comitê reafirmou agora sua visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes.

 

Convergência

 

O BC passou a utilizar a expressão “ao longo” do próximo ano ao falar da convergência da inflação para a meta de 4,5%. Substituiu a avaliação “no próximo ano” para “ao longo” de 2016. Segundo o Banco Central, os efeitos conjugados de demanda, consumo das famílias, crédito, investimentos, exportações, política fiscal e condições financeiras favoráveis são fatores importantes no qual decisões futuras sobre a taxa Selic serão tomadas para assegurar a convergência ao longo de 2016.

 

Câmbio

 

O BC trabalhou com um dólar defasado ao tomar a decisão, na semana passada, que elevou a taxa Selic de 12,25%, ao ano, para 12,75%, ao ano. Nos últimos dias, a alta da divisa norte-americana ante o real alimenta projeções de elevação do IPCA no mercado financeiro – o que levaria o Copom a uma estratégia de mais aperto monetário. O BC mudou sua previsão para o câmbio de R$ 2,65 para R$ 2,85 pelo cenário de referência, abaixo do valor negociado no da alta da Selic (R$ 2,97). Vale ressaltar que aquele foi o último dia que o dólar fechou abaixo de R$ 3,00.

 

Diário do Nordeste

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