Reciclagem no Cariri é destaque em feira internacional

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15 nov 2014
Os catadores da Região do Cariri começam a se organizar (Foto: Fabiane de Paula/Diário do Nordeste)

Os catadores da Região do Cariri começam a se organizar (Foto: Fabiane de Paula/Diário do Nordeste)

A experiência das associações de catadores de lixo na Região do Cariri (CE) foi destaque durante o X Recicle Cempre, seminário anual sobre gestão de resíduos sólidos realizado pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), realizado nesta cidade durante essa semana. Palestrantes e convidados conheceram a iniciativa que se iniciou em Nova Olinda, no Ceará, e hoje já se instalou de forma organizada para a reciclagem dos resíduos sólidos em cinco cidades da Região.

 

O evento aconteceu paralelamente à XV Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade, de 11 a 13/11, no Expo Center Norte, em São Paulo, representando uma mostra atualizada de opções na área ambiental e possibilitando o contato com os mais importantes especialistas e empresários atuantes no Brasil.

 

Além de Nova Olinda, as associações dos catadores já estão presentes em Crato, Santana do Cariri e Brejo Santo. Ao todo, são mais de dois mil catadores que passaram a tirar o sustento da reciclagem de materiais que antes eram destinados aos lixões, com uma renda mensal que chega até R$ 1 mil.

 

Recicladores

 

A experiência cearense posta em discussão fez parte do painel “A contribuição das cooperativas de reciclagem para a implantação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)”. A palestrante pelo Ceará, na última quarta-feira, foi a tecnóloga em saneamento ambiental Nathália Crisostomo, que falou sobre a ação bem sucedida dos recicladores e, sobretudo, da gestão do aterro sanitário de Brejo Santo, o primeiro a ser instalado no Cariri, que vem sendo administrado pela empresa Proex.

 

No entanto, houve uma atenção especial para os depoimentos do fomentador das associações no Cariri, Paulo Sérgio Garcia de Souza, e do presidente da Associação dos Recicladores de Brejo Santo (Abresent), Joaquim Pereira da Silva. Paulo lembrou que a forma de organização não apenas vem garantindo uma renda estável para os trabalhadores, como também impactou na mudança de status.

 

“Antes, os catadores eram vistos como mendigos e pessoas miseráveis. Agora, houve a recuperação da dignidade, por se fazer um trabalho que é importante para a melhoria do meio ambiente”, destacou Paulo. Ele informou que a iniciativa, inspirada em outras ações já desenvolvidas no País, se projeta para um progresso ainda maior, com a formação das cooperativas.

 

De acordo com Joaquim, a melhoria da qualidade de vida já se pode reconhecer desde a implantação da associação, em 2003. Aos 42 anos, casado e pai de dois filhos, ele disse que é um dos trabalhadores que passaram a garantir o sustento da família, com um rendimento maior do que diversas atividades produtivas existentes no Interior.

 

Coleta seletiva

 

Contudo, lembrou que o ensejo maior aconteceu a partir de 2012, já na gestão do prefeito Guilherme Landim. Com o apoio do Município, os recicladores, como agora são chamados, passaram a contar com vacinação, equipamentos de segurança, galpões e a ativação do aterro sanitário. O material priorizado na coleta seletiva é o plástico, que é vendido a uma empresa em Juazeiro do Norte. Também fazem a venda de resíduos metálicos e outros produtos secos.

 

Para a tecnóloga Nathália Crisostomo, o papel da associação é uma peça valiosa na forma como o município trata a questão do destino final dos resíduos sólidos. Ela explicou que a ativação do aterro sanitário é outra ação importante e exemplar para o Estado e, particularmente, a região, que vivia num impasse para a instalação do primeiro aterro sanitário do Cariri.

 

Localizado numa área de 30 mil metros quadrados, no sítio Capoeira, o aterro funciona dentro de uma estrutura de dois galpões de triagem e prensa, além de espaço para negociação e sede da Associação. A vida útil é estimada em 30 anos e o equipamento recebe, em média, 40 toneladas de resíduos por dia.

 

Segundo a assessora da Secretaria de Meio Ambiente, Juliana dos Santos Monte, o material que não é reaproveitado segue para as células, onde é feita a drenagem do chorume, por meio de bombeamento, e o escoamento de gases. As células são escavações de cerca de 10 metros, revestidas com geomembranas (uma espécie de plástico) de 1,5 mm e depois coberta por argila.

 

O aterro, segundo licenciado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace), passou por um processo de readequação, com transformação de lixão em aterro, que durou seis meses e consumiu cerca de R$ 500 mil em recursos. Todo o projeto de transformação foi idealizado e administrado pela Proex.

 

FIQUE POR DENTRO

 

Fimai é destaque em toda a América Latina

 

Considerada a mais importante feira do setor de Meio Ambiente Industrial na América Latina, a Fimai apresenta-se como excelente opção para mostrar o que há de melhor e mais avançado em nível mundial, sendo um grande atrativo para investidores e empresários nacionais e internacionais que desejam estreitar contatos com empresas do setor, fazer negócios e expandir sua rede de relacionamentos comerciais. Novas tendências, inovações tecnológicas, práticas ambientais bem sucedidas e proatividade no setor socioambiental é a marca registrada dos expositores da feira, transformando o evento em um centro gerador de experiências e de negócios importantes. A cada ano, desde sua 1ª edição em 1999, a Fimai e seus eventos paralelos reafirmam a proposta de perpetuar a “sustentabilidade” no setor produtivo industrial.

 

Diário do Nordeste

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