Região Metropolitana de Fortaleza tem cerca de 176 mil pessoas que não trabalham nem buscam emprego, revela pesquisa

Região Metropolitana de Fortaleza tem cerca de 176 mil pessoas que não trabalham nem buscam emprego, revela pesquisa

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8 set 2017

FOTO: DIVULGAÇÃO

Impactadas pelo forte índice de desemprego juvenil, cerca de 176 mil pessoas entre 15 e 29 anos não estudam, não trabalham e nem procuram por emprego na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o equivalente a 16,9% do total de 1,04 milhão de jovens. Segundo estudo do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), esse é o percentual mais alto entre as regiões metropolitanas consideradas na Pesquisa do Emprego e Desemprego (PED) até 2016.

 

Depois da RMF, essa condição é vista com mais intensidade na Região Metropolitana de Salvador (12,2%), seguida pela de Porto Alegre (11,9%), São Paulo (10,0%) e Distrito Federal (9,7%). De acordo com Erle Mesquita, coordenador de Estudos e Análise de Mercado do IDT, essa situação é um reflexo do elevado desemprego juvenil, que é, em média, duas ou três vezes maior que a taxa de desemprego observada para adultos.

 

Faixa etária

 

Conforme o levantamento, 65% desse segmento da população na RMF é formado por jovens de 15 a 24 anos e os demais 35%, por pessoas de 25 a 29 anos. Mais da metade são mulheres (66,6%) e, em menor parcela, homens (33,4%).

 

Outro aspecto do estudo levanta que quase a totalidade desses jovens (92,3%) não é chefe de família, mas 7,7% responderam se considerar nessa posição.

 

Educação

 

No que diz respeito ao nível de instrução, o estudo do IDT mostra que o percentual de analfabetos e com ensino fundamental incompleto nessa condição tem caído ao longo dos anos. Em 2009, eles correspondiam a 39,4% do segmento e, após sucessivas quedas, o percentual caiu para 26,8% em 2016. Por outro lado, aumentou a participação de jovens com médio completo e demais níveis – de 38,3% em 2009 a 46,9% em 2016.

 

“Esses dados mostram que houve avanços no sistema escolar, com a diminuição do percentual de jovens com escolaridade mais baixa nessa condição. Mas também mostra um número elevado de jovens que terminaram o período escolar, mas não estão conseguindo ingressar no mercado de trabalho”, explica Mesquita. Ele destaca a necessidade de uma política pública que auxilie essa transição.

 

Riscos

 

Boa parte desse segmento de jovens que sequer busca emprego está sujeita a efeitos da exclusão social e marginalização, especialmente pela grande representação daqueles de classes mais pobres nessa condição.

 

Segundo o coordenador, sete em cada dez jovens nessa condição convivem com famílias cuja renda mensal é de até dois salários mínimos. “É um indicador que corrobora esse processo de desalento”, pontua.

 

Outra dificuldade, enfrentada principalmente pelas mulheres, é a questão da gravidez precoce. “Mesmo que tenha se avançado nessa parte da escolaridade, diminuindo a evasão, ainda é necessária uma política de prevenção para a gravidez precoce. É um dado que percebemos como de grande relevância porque, mesmo se tratando de uma situação ‘temporária’, tem um impacto que é sentido em relação ao trabalho por muitos anos”, acrescenta.

 

Exigências

 

Historicamente mais elevadas, as taxas de desemprego juvenil refletem a exigência de experiência e qualificação as quais os jovens são submetidos pelo mercado. No conjunto das cinco regiões metropolitanas avaliadas pelo estudo, formada por 8,6 milhões de jovens, 2,13 milhões (24,7%) não trabalham, nem estudam, mas pressionam o mercado procurando vagas. Outros 963 mil (11,1%), além disso, sequer buscam emprego.

 

“É uma situação muito delicada a de quem está nessa condição (de não estudar, trabalhar ou procurar se inserir no mercado de trabalho)”, aponta Erle Mesquita.

 

Além da desistência da procura pela falta de perspectivas de colocação, agravada pela crise econômica, os dados mostram segmentos vulneráveis mais expostos. “Existe um grande desafio a partir de agora com a vigência da reforma trabalhista e, possivelmente, mais postos temporários de trabalho”, destaca coordenador de Estudos e Análise de Mercado do IDT.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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