Saída da Força Nacional deixa Governo cearense surpreso

Saída da Força Nacional deixa Governo cearense surpreso

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30 jun 2016
A previsão era que a tropa da Força Nacional de Segurança (FNS) permanecesse no Estado até 15 de julho. Porém, devido à necessidade de um treinamento para os Jogos Olímpicos, eles seguiram para o Sudeste ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )

A previsão era que a tropa da Força Nacional de Segurança (FNS) permanecesse no Estado até 15 de julho. Porém, devido à necessidade de um treinamento para os Jogos Olímpicos, eles seguiram para o Sudeste ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )

Solicitada pelo governador Camilo Santana para ajudar a conter a situação caótica nas unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza, a Força Nacional de Segurança (FNS) começou a deixar o Ceará, ontem. A retirada surpreendeu o Governo, tendo em vista que a previsão era que a tropa de 120 homens permanecesse no Estado até o dia 15 de julho. Porém, devido à necessidade de um treinamento para os Jogos Olímpicos deste ano, que começam no dia 5 de agosto, no Rio de Janeiro, os agentes foram ordenados a ir para o Sudeste.

 

A determinação não atingiu apenas o Ceará. Todos os Estados que contavam com a atuação do reforço da Força Nacional foram notificados que os policiais precisam se reunir no Rio de Janeiro para um nivelamento operacional, para que toda a tropa tenha condições iguais de atuar nas Olimpíadas.

 

Na manhã de ontem, durante a cerimônia de sanção da Lei que criou a Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo no Palácio da Abolição, Camilo Santana afirmou que já estão sendo tomadas medidas para garantir a segurança nos presídios. De acordo com Santana, a Polícia Militar será utilizada para suprir a falta dos agentes da Força Nacional.

 

“Havia um compromisso do Ministério da Justiça de deixar a Força Nacional até o dia 15 de julho, mas fomos surpreendidos com a saída. Ontem mesmo eu questionei o ministro (Alexandre de Moraes), mas a ordem é que todos tinham que ir por conta das Olimpíadas”, comentou Camilo Santana.

 

O governador disse que já entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSPDS) para suprir a carência dos agentes nacionais. “Fizemos uma reunião com toda a área da Segurança Pública para colocar 100 homens da PM, do Batalhão de Choque (BPChoque), para compensar os 120 agentes que saíram”, complementou.

 

Ainda segundo Santana, o Ceará já conseguiu recuperar uma unidade prisional e, até amanhã, mais duas que estavam desativadas poderão ser utilizadas novamente. “Poderemos acelerar a recuperação dos outros presídios. Continuamos com apoio de mais de 60 agentes penitenciários de outros Estados, que têm experiência na área e estão dando uma grande contribuição”, ressaltou.

 

Prejuízo às ruas

 

O governador também salientou que será feito “o possível” para que o reforço da PM nos presídios não prejudique a presença da Corporação nas ruas da Capital. “Vamos utilizar o reforço indenizatório que aprovamos recentemente na Assembleia Legislativa, o que nos permite contratar profissionais da área de Segurança Pública em seus dias de folga. Isso dará um aumento no nosso efetivo e possibilitará uma melhor atuação”, disse.

 

O coronel Lauro Carlos de Araújo Prado, secretário adjunto da SSPDS, disse que a Lei que permite a compra das folgas dos policiais só será aplicada aos que mostrarem interesse em estender a carga horária. “É totalmente voluntário, só vale para quem se disponibilizar. Além disso, existe um limite máximo de seis horas a serem vendidas, nas folgas de 48 horas. É preciso respeitar a condição humana dos policiais. Eles não vão poder exceder os próprios limites”.

 

Segundo Lauro Prado, a possibilidade de os policiais fazerem este serviço extraordinário facilitará a manutenção deles ajudando na segurança das penitenciárias. “Com estes policias que estarão a mais na escala, nós poderemos atender a demanda. Estamos com o BPChoque lá dentro desde as rebeliões. Estamos fazendo da maneira que tenha o menor prejuízo possível ao policiamento das ruas”.

 

Os militares que poderão atuar nas penitenciárias, além dos do BPChoque, que engloba diversos Batalhões especializados, são os das Forças Táticas de Apoio (FTAs) de qualquer Companhia e do Batalhão de Policiamento de Guarda Externa de Presídios (BPGEP).

 

Fonte: Diário do Nordeste

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