Suposto desaparecimento de peças é investigado pela Polícia

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28 jul 2014
Memorial sobre o "Padim" recebe milhares de visitantes todos os anos. (Foto: Roberto Crispim)

Memorial sobre o “Padim” recebe milhares de visitantes todos os anos. (Foto: Roberto Crispim)

A polícia Civil deste município já deu início às investigações em torno do possível desaparecimento de peças do acervo do Memorial Padre Cícero, formado por relíquias do patrono da cidade, a partir de doações realizadas por contemporâneos do sacerdote. Na última sexta-feira, uma equipe formada por seis policiais esteve no Memorial para, ao lado do atual presidente da Fundação Memorial Padre Cícero, Antônio Chessman Alencar Ribeiro, conferir se o material relacionado nem um levantamento datado de setembro de 2012, único encontrado até agora, estão todos expostas no equipamento.

 

Na semana passada, a Polícia também começou a ouvir testemunhas em relação ao caso. A reportagem apurou que o presidente da Fundação Memorial Padre Cícero, Chessman Ribeiro, prestou depoimento no dia 21 de julho, momento em que voltou a afirmar que desconhece o desaparecimento de peças do acervo e que, caso haja veracidade na denúncia feita por populares que frequentam o equipamento, as peças teriam sido retiradas anteriormente a sua gestão, em 2013. A denúncia também foi feita pela própria Secretaria de Cultura e Romaria do município (Secron), ao Ministério Público do Ceará.

 

“O que eu disse, e repito onde for necessário, é que durante a nossa gestão não saiu uma única peça do Memorial Padre Cícero. Também não posso afirmar que houve a retirada de nenhum material que compõe o acervo durante outras administrações. Não há documentos que comprovem quais peças formavam o acervo em anos passados. O único levantamento existente é o que foi verificado pela Polícia na última sexta-feira, datado do mês de setembro de 2012. Antes desta data não há qualquer registro”, informou Chessman Ribeiro, presidente da Fundação.

 

Biblioteca

 

O presidente da Fundação padre Cícero, no entanto, confirmou a falta de, pelo menos, 65 livros da biblioteca do Memorial. De maneira diferente da que vinha sendo informada, os livros não fazem parte da coleção de obras pertencentes ao próprio Padre Cícero. “Na verdade, são livros de historiadores e pesquisadores. A maioria, por sinal, retratam a ocasião do cangaço e a figura de Lampião”, disse o presidente. Conforme a bibliotecária do Memorial Padre Cícero, Graciane Batista, existe dificuldades em confirmar o acervo literário do local, tendo em vista que as obras deixaram de ser catalogadas durante cerca de dois anos.

 

“Antes de assumirmos a função, o único tombamento existente no equipamento era referente ao período de 2007 a 2010. Só houve a retomada do tombamento a partir de janeiro de 2013. Antes desse período, não há registro algum de jornais, fotografias, revistas, cordéis, apenas livros. Isso prejudica o levantamento que está sendo realizado”, explicou a funcionária do equipamento. Há, ainda, cartas redigidas de próprio punho por Padre Cícero que teriam sido jogadas no lixo por funcionários do local. Ao todo, seriam cerca de 300 correspondências.

 

Restauração

 

“Não há, em todo o Cariri, a prática de realizar restaurações em peças antigas. Segundo relatos de funcionários mais antigos, muita coisa foi jogada fora. No próprio Museu de Padre Cícero existem materiais que foram parar no lixo por conta dessa cultura equivocada”, comentou Chessman Ribeiro.

 

Na avaliação do presidente da Fundação, as investigações realizadas pela Polícia poderão ser prejudicadas pela falta de documentos que comprovem o acervo existente no Memorial antes do período relativo ao único levantamento até agora apresentado, no caso o que data de setembro de 2012. “Na minha análise, a única maneira de se comprovar a falta de peças do acervo do Memorial é através da verificação do tombamento destas peças. O problema é que este documento não existe. É preciso que os ex-dirigentes do equipamento possam apresentar, caso possuam, os levantamentos em torno dos materiais aqui existentes na ocasião em que administravam o Memorial”, observou.

 

Embora a conferência realizada pelos policiais civis na última sexta-feira tenha constatado que as peças descritas no levantamento feito no mês de setembro de 2012 se encontram no Memorial, a secretária de Cultura e Romaria de Juazeiro do Norte, Marli Bezerra, afirma existir um certo “vazio” no interior do equipamento, resultante da ausência de peças que compunham o acervo. “Não há como eu dizer qual a peça que está faltando. Essa afirmação não é feita apenas pela secretaria. A maioria das pessoas que frequentam o memorial nos últimos dez anos também afirma que o acervo está diminuindo”, afirma a Secretária, para quem o desaparecimento de peças teria gerado uma redução no número de visitantes ao Memorial.

 

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Diário do Nordeste

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