Surto de sarampo no Ceará é o 2º maior em 23 anos

Surto de sarampo no Ceará é o 2º maior em 23 anos

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8 out 2014

A disseminação do vírus transmissor do sarampo no Ceará em 2014 já alcança números alarmantes. Dos 482 casos confirmados da doença no Brasil até o mês de setembro, 451 foram registrados no Estado, acumulando 93,5% do número de pessoas acometidas do vírus no País. O atual estágio da doença no Ceará é o segundo pior desde 1991, quando foram apontadas 4.074 vítimas da epidemia. Em 1997, 724 casos foram confirmados.

 

sarampo

 

Neste ano, Fortaleza lidera o ranking de casos por município, com 148 confirmações, seguido de Massapê, com 126 casos, e de Uruburetama, com 61. “A hipótese é de que este aumento do número de casos seja motivado pelo constante convívio das pessoas que moram em Fortaleza, por exemplo, com a população de outras regiões e países onde o sarampo é endêmico”, explicou o gerente da célula de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Antônio Lima.

 

Sobral, que está em 4º lugar no ranking da doença por município, sofre com o primeiro surto da doença desde 1997. Segundo a gerente da vigilância epidemiológica da Secretaria da Saúde de Sobral, Sandra Flor, dos 200 casos suspeitos, 60 já foram confirmados.

 

“Os meses de junho e julho tiveram um maior número de casos. No fim de setembro e início de outubro, nós já conseguimos controlar a doença realizando um bloqueio com o objetivo de quebrar a cadeia através da vacinação”, disse Sandra Flor.

 

Em todo o Estado, somente no último mês de setembro, 95 pessoas foram confirmadas como portadoras do vírus Morbillivirus, transmissor da doença. Outros 74 pacientes permanecem em investigação epidemiológica. No apanhado do ano, 694 pessoas no Ceará apontaram os sintomas de Sarampo, mas não tiveram a confirmação da doença. Apenas os estados de Pernambuco, com 24 casos confirmados, e São Paulo, com sete, também apontaram incidência do vírus em 2014.

 

Incidência

 

Forquilha (18 casos), Coreaú (6), Meruoca (5), Santana do Acaraú (4), Tururu (3), Caucaia (3), Trairi (3), Camocim (2), Mucambo (2), Hidrolândia (1), Moraújo (1), Uruoca (1), Aracati (1), Itapipoca (1), Itaitinga (1), Jaguaribe (1) e Maranguape (1) completam a lista de 22 municípios com incidência do vírus no Estado. Os números mostram uma forte incidência no vírus na Região Norte do Ceará, o que tem motivado uma força tarefa da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa). “Estamos dando prioridade às fábricas. Inclusive vacinamos todos os 22 mil funcionários de uma fábrica em Sobral. Estamos preocupados com as pessoas, e, dependendo da situação, estamos vacinando fora da faixa etária prioritária”, relata Ana Wilma, coordenadora de imunização da Sesa.

 

A faixa de idade prioritária das campanhas de vacinação envolve crianças de 1 a 4 anos, mas, devido ao surto, os postos do Ceará já estenderam a imunização a crianças entre 6 meses e menores de 5 anos, além de fazer adequações às necessidades de cada região, como aconteceu com a vacinação de adultos em Sobral. Na Capital, 40% das pessoas que portam o vírus do sarampo são bebês.

 

“É muito importante que as pessoas procurem as unidades de saúde dos bairros para imunizar estas crianças”, ressaltou o gerente da célula de Epidemiologia da SMS, Antônio Lima.

 

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa, muito comum na infância. O vírus é transmitido diretamente de pessoa a pessoa, por meio das secreções das vias respiratórias, expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Essa forma de transmissão é responsável pela elevada contagiosidade da doença.

 

Manchas avermelhadas na pele, febre, tosse, mal-estar, conjuntivite, coriza e perda do apetite são alguns traços do sarampo. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é de cerca de 12 dias.

 

A transmissão pode ocorrer antes de surgirem os indícios e estender-se até o quarto dia depois que surgirem placas avermelhadas na pele. Em gestantes, pode provocar aborto ou parto prematuro.

 

Pneumonia e encefalite são complicações graves do sarampo. O diagnóstico do sarampo é feito por exames clínicos e, quando necessário, confirmado por exame de sangue.

 

Diário do Nordeste

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